COLISÃO EM VÔO COM OBSTÁCULO

DISTRIBUÍDO PELO SERAC
DIVOP 10/SIPAA-4/2000, DE 20 DE MARÇO DE 2000

HISTÓRICO

O piloto decolou às lO:30P do “SITIO DE ULTRALEVES CORONEL-AVIADOR SANTANA”, de sua propriedade, para realizar um vôo local.
Após a decolagem, o piloto comandou uma curva acentuada de 270º à direita, imprimindo grande inclinação e fator de carga (“G”). Executou uma passagem em vôo rasante sobre 2 (dois) quiosques e, em seguida colidiu com os fios da rede elétrica de alta tensão.
Houve a perda de controle da aeronave que colidiu violentamente contra o solo em atitude picada.
A aeronave sofreu danos graves e o piloto faleceu no local do acidente.

ANÁLISE

Através do relato de testemunhas, o piloto chegou cedo ao Sítio de Vôo, tomou café da manhã no quiosque em frente ao Sítio e conversou com populares que o aguardavam para realizar um vôo local. O vôo panorâmico seria remunerado pelos interessados em voar
Como era de seu costume, o piloto, após realizar o pré-vôo da aeronave, fazia um vôo  solo para certificar-se que o ultraleve estava seguro para realizar os vôos fretados.
No dia do acidente, o vento estava de través com a pista, intensidade forte e com direção do setor “E” (Leste) para o setor “W” (Oeste), ou seja, soprava do mar para a terra.
O piloto decolou com proa “N” (Norte) e iniciou uma curva acentuada de 270º para a direita.
Sem atingir uma altitude de segurança, a aeronave colidiu com asa direita nos fios da rede elétrica de alta tensão e entrou em atitude anormal ate colidir violentamente contra o solo da pista do Sítio de Vôo.

CONCLUSÃO

FATOR HUMANO – Não pesquisado.
FATOR MATERIAL – Não contribuiu.
FATOR OPERACIONAL – Contribuiu.
   DEFICIENTE PLANEJAMENTO.
   DEFICIENTE JULGAMENTO.
   DEFICIENTE APLICAÇÃO DE CONHECIMENTOS TEÓRICOS-AERODINÂMICA.
   DEFICIENTE APLICAÇÃO DE CONHECIMENTOS TEÓRICOS- METEOROLOGIA.
   INDISCIPLINA DE VÔO.
   INFLUÊNCIA DO MEIO AMBIENTE.

RECOMENDAÇÕES DE SEGURANÇA DE VÔO

ÀS ESCOLAS DE PILOTAGEM DE ULTRALEVES, CLUBES DE ULTRALEVES, ASSOCIAÇÕES DE PROPRIETÁRIOS E PILOTOS DE ULTRALEVES, ADMINISTRADORES DE PISTAS E SÍTIOS DE VÔO DE ULTRALEVES, E CONSTRUTORES / MONTADORES DE ULTRALEVES:
1) DEVERÃO DAR ÊNFASE AOS CONHECIMENTOS TEÓRICOS MÍNIMOS, A SABER:

·        
AERODINÂMICA DE BAIXA VELOCIDADE;
·        
METEOROLOGIA;
·        
PROTEÇÃO AO VÔO;
·        
MANUAL TÉCNICO DA AERONAVE;
·        
MANUAL DE OPERAÇÃO DA AERONAVE;
NOÇÕES BÁSICAS DE DIREITO (RESPONSABILIDADE CIVIL, PELO MENOS).

2) DEVERÃO AGREGAR À FORMAÇÃO DOS NOVOS PILOTOS, E ANTES DO 1º VÔO SOLO, PALESTRA SOBRE:
·        
MEDICINA DE AVIAÇÃO (CONDICIONAMENTO FISIOLÓGICO PARA A PRÁTICA DE QUALQUER ATIVIDADE AÉREA);
·        
PSICOLOGIA DE AVIAÇÃO (CONDICIONAMENTO PSICO-EMOCIONAL PARA A PRÁTICA DE QUALQUER ATIVIDADE AÉREA)
EX: “A SEGURANÇA DE VÔO X O EXIBICIONISMO”.

3) DEVERÃO AGREGAR À FORMAÇÃO DOS NOVOS PILOTOS, PALESTRAS SOBRE:
·        
SEGURANÇA DE VÔO DIRECIONADA À AVIAÇÃO EXPERIMENTAL.