O “Demoiselle” , assim chamado pelos parisienses pela sua semelhança com uma libélula, era um ULTRALEVE pela definição e também pela finalidade para a qual foi construído: Santos Dumont utilizava-o nas suas horas de lazer.

 

A aviação começou ULTRALEVE. Em 1906, o primeiro avião a decolar e sustentar-se em vôo apenas por efeito da propulsão de um motor, o 14BIS de Alberto Santos Dumont, pesava 160 kg. Se fosse construído hoje estaria enquadrado na definição de ultraleve. Não era uma máquina dotada de comandos eficientes  e sua configuração tipo “canard” foi abandonada logo no segundo projeto de nosso compatriota, o nº 19, o Demoiselle, este sim era um ultraleve em toda a extensão da palavra. 

 

Era o seu meio de transporte para passeios e visitas aos amigos que habitavam ao redor de Paris. Mesmo sem vento necessitava de não mais do que 80 metros para pousar ou decolar, o que lhe permitia transformar um gramado de jardim residencial ou público, numa pista de pouso.

 

Seus 118 kg ( peso vazio) eram suspensos por asas que tinham 5,10 m de envergadura e 10 m² de área. Um motor Dutheil-Chalmers de 30 hp o impulsionava a 90 km/h.

 

Todo construído com bambu e seda japonesa, já exibia o “king post” dos primeiros Microleves que surgiram no Brasil na década de 80, copiados dos quicksilvers americanos, e os cabos de sustentação em vôo e no solo, como também eram equipados nossos modelos daquela década.

O modelo nº 19 foi melhorado  sucessivas vezes, mantidas as características principais, recebendo como batismo os nº 20, 21 e 22. Santos Dumont divulgou as plantas desta aeronave e autorizou a quem desejasse, construir sua própria máquina.

 

Entre 1909 e 1920 voavam na França, Alemanha e Estados Unidos, seguramente mais do que 50 exemplares desta graciosa maquininha que foi a primeira fabricada e vendida em série