De Belo Horizonte à João Pessoa no PU-MRM
- Fernando de Castro Gama -

Este é um pequeno relato do segundo vôo de translado que fiz. Desta vez, a bordo de um P-92 SUPER ECHO o "PU-MRM" de Belo Horizonte/MG para João Pessoa/PB, tendo como companheiro de vôo o feliz proprietário da aeronave o nosso amigo Serjão. Foram dois dias de vôo sobre belas paisagens montanhosas no estado de Minas Gerais e como sempre belas praias do nosso litoral Nordestino.

 

Na Aerobravo, Fernando Gama,
Fábio Homem e Sérgio Menezes.

Dia 27.10.07

Após três dias de trabalho voando pelo interior da Bahia, cheguei as 15:45 no Aeroporto Castro Pinto onde o Sêneca V que trabalho fica baseado. Então me dirigi ao nosso aeroclube para encontrar com o amigo Serjão para saber novidades sobre o nosso vôo para Belo Horizonte onde pegaríamos a nova garça, que seria mais uma a fazer parte do nosso grupo no departamento de ultraleves do Aeroclube da Paraíba. Ainda na estrada recebi um telefonema de D. Viviana esposa do Serjão confirmando a nossa ida no mesmo dia às 22:00 para Recife-PE de carro, onde iríamos embarcar em um vôo da TAM às 02:00 do dia seguinte.

Na chegada ao aeroclube encontrei a turma no bate papo de sempre no final da tarde deste sábado, e a conversa não poderia ser outra, era a nossa viagem. Após tudo acertado me despedi e fui para casa para matar a saudade da minha família, esposa e filhos. Britanicamente Serjão chegou as 22:00 e assim fomos para o Recife-PE. Viagem agradável e como estava um pouco cansado dei uma cochilada e só acordei quando estávamos entrando no aeroporto. O vôo só atrasou meia hora e assim decolamos com destino a Belo Horizonte.

Dia 28.10.07

Ao nascer do sol estávamos pousando no aeroporto de Confins SBCF em BH. Pouso tranqüilo nos dirigimos ao saguão e procuramos o ônibus que nos levaria para o hotel onde nosso amigo Flávio (Sheik Ali) já estava desde a sexta-feira dia 26. Nos acomodamos e algum tempo depois telefonamos para o apto e o acordamos para podermos tomar o café da manhã juntos. Após o café fomos para o aeroporto Carlos Prates SBPR para conhecer o PU-MRM um belo exemplar do Tecnam P-92 - Echo Super, e encontrar com o Sr. Fábio Homem, dono da Indústria de Aeronaves Aerobravo que fabrica o modelo Bravo-700.

Vista aérea do Aeroporto Carlos Prates – Belo Horizonte/MG

Nessa oportunidade, vimos o avião e fizemos o vôo de recebimento da aeronave, tudo já agendado pelo amigo Flávio Nascimento no dia anterior. Antes dos vôos, o Fábio nos mostrou toda a fábrica, com algumas aeronaves na linha de montagem, e o novo modelo que está sendo montado que é o Bravo Super, inclusive tivemos o prazer de conhecer o primeiro a ser montado, que já está voando e pertence ao Cmte. Ruy lá de Belo Horizonte. Muito satisfeito o encontramos no abastecimento acabando de chegar de um vôo na Represa de Santa Maria. Logo após, fomos apresentados ao Cmte. Roldão, gente fina como todos os que mantivemos contato durante estes dias, que iria nos acompanhar nos vôos, pois como era a primeira vez que estávamos no Carlos Prates, não estávamos familiarizados com a área. Fui escalado para fazer o primeiro vôo, onde fiz dois toques e arremetida, e em seguida voaram o Serjão e o Flávio.

Chegada em Ilhéus /BA, após
03:40 de vôo procedente de Governador Valadares /MG

Nesse meio tempo o Fábio me convidou para voar com ele em um Bravo 700 que por sinal é do ex-dono do novo avião do Serjão que ainda não tinha sido entregue. Tive que fazer esse sacrifício, voar em uma aeronave zero-horas praticamente com aquele cheiro de couro dos estofados na companhia do proprietário da fábrica. Não é preciso dizer que o vôo foi de demonstração, com direito a decolagem e pouso curto em uma pista que tem a elevação de 3.000 pés, característica principal da aeronave.

Fiquei bem impressionado com a robustez e conforto interno da cabine, é como o Fábio falou, não é a aeronave mais bonita do mundo e nem a mais rápida, mas é muito segura, robusta, econômica e confortável.

Ao término das atividades por volta do meio dia, fomos convidados pelo Fábio para o almoço, mais um sacrifício, pois ele nos levou para uma churrascaria que não é muito conhecida chamada "Porcão", é mole?

Bem, de volta ao hotel nos despedimos e marcamos o reencontro para o dia seguinte as 07:30h, pois como é o horário que ele vai para a fábrica, nos daria uma carona. Após o jantar ficamos conversando até chegar a hora do nosso amigo Flávio tomar o táxi para o aeroporto, onde iria embarcar de volta para João Pessoa, já que no dia seguinte, na segunda-feira, teria que estar em Guarabira/PB para pegar no batente. Foi um dia muito agradável, até para relaxar, pois no dia seguinte teríamos que estar concentrados para iniciarmos o vôo de retorno para casa.

Belo Horizonte  – Aeroporto da Pampulha - FL055

Dia 29.10.07

Como tínhamos ido dormir relativamente cedo, não deu outra acordamos cedo, tomamos o café e nos dirigimos a recepção onde encontramos o Fábio já a nossa espera. Fomos para o aeroporto, lá chegando combinei com Serjão que enquanto ele fazia os acertos finais eu fui fazer o plano de vôo. Após o abastecimento e as despedidas do Fábio, decolamos da pista 09 para o nosso primeiro destino às 08:10 que era Governador Valadares. Após a rádio Prates nos transferir para o controle BH o mesmo mandou que aguardássemos no circuito de tráfego subindo para o nível solicitado que era o FL075, pois havia muito tráfego na Pampulha e a nossa rota de saída era cruzando o prolongamento da pista 13 de SBBH.

Depois de dois circuitos já cruzando aproximadamente o FL055 fomos autorizados a prosseguir na rota.

A paisagem que nos rodeava não era nada agradável apenas àquela bela cidade enorme cheia de prédios, casas e grandes avenidas com muitas montanhas, nada comparado ao visual da nossa região.

Para ter uma idéia ao nivelarmos no FL075 ainda tínhamos que olhar para cima para ver o pico de uma enorme montanha a nossa direita, mas para compensar, após a grande trovoada que desabou no final da tarde do dia anterior, parece que deu uma limpada total e o tempo estava céu de brigadeiro quase sem nenhuma nuvem e com o ar calmo.

Foram 01:35 de vôo sobre aquela paisagem bastante acidentada, porem muito bonita. Avistamos como estava previsto o rio Piracicaba a uns 00:20 minutos fora, este rio passa exatamente ao lado da cidade.

Chamamos a rádio Valadares, a mesma nos informou as condições e sem tráfego no momento pousamos as 09:45 e nos dirigimos para o estacionamento. Fomos direto para o Plano de Vôo e após uma drenadinha básica e tomarmos uma água fomos para o abastecimento. Fiz as contas para conferir o consumo na etapa e gostei do MRM ter feito 17,5 litros por hora.

Avião abastecido prosseguimos para o nosso segundo destino. O plano foi feito para o hotel Terravista-BA SJUR uma pista próxima a Porto Seguro, pois Porto Seguro não tinha avgás, esta era a única pista da região que tinha combustível. Porém antes de decolar de SBGV chequei via telefone se a avgás estava realmente disponível, a pessoa que

Sérgio Menezes (Serjão) ao lado da sua nova máquina. Aeroporto de Ilhéus – BA.

atendeu disse-me que sim e que teria um adicional de uma pequena taxa de pouso no valor de R$ 200,00, é mole?

Então combinei com o Serjão que quando estivéssemos próximos a iniciar a descida para SJUR faríamos uma avaliação da autonomia e do tempo a nossa frente e se tudo estivesse ok cancelaríamos o pouso em SJUR e prosseguiríamos para Ilhéus-BA SBIL.

E assim fizemos. Após o través de Teófilo Otoni as montanhas e morros foram diminuindo e o visual era agora de plantações, indicando que já estávamos nos aproximando do litoral. Algumas vezes durante essa etapa lembrei-me de ouvir o ronronar do Rotax 912S ali na frente nos transmitindo a confiança necessária para cumprir aquele vôo, e durante todas as etapas ele se manteve tranqüilo sem alteração.

Porto Seguro a frente, que bela paisagem, poucas nuvens e aquele litoral baiano muito bonito. Após Porto Seguro prosseguimos na proa de Ilhéus, com direito até a aparecer na tela do TCAS do Boeing 737 da Gol que estava se aproximando para pouso em Porto Seguro.


Gama e Serjão, Durante a subida
na etapa Ilhéus para Aracajú.

Avião estacionado, calçado, capa de pára-brisa colocado, portas fechadas e nos dirigimos para o hotel que fica ao lado da cabeceira 29, o mesmo chama-se Hotel Opaba para os que pernoitarem em Ilhéu é uma ótima opção. O resto da tarde foi para relaxar com direito a caminhada na praia, fotos e conversa sobre o vôo do dia, pois o Serjão está acumulando horas e experiência para o seu cheque de CPR. Após o jantar fomos dormir para estarmos descansados no dia seguinte que seria o último dia divido em duas etapas. Passamos sobre o Hotel Transamérica-BA - SBTC que tem uma pista enorme e chamamos o controle Ilhéus para solicitar a descida que foi tranqüila e constante até o ingresso na perna do vendo da pista 11 com  o  vento de  través  pela

esquerda dando um pouco de trabalho para o Serjão. Enfim, Ilhéus após 03:45 desde Governador Valadares, nosso primeiro dia tinha sido cumprido como planejado.

O entardecer em Ilhéus/BA

Dia 30.10.07

Acordamos bem cedo e logo descobrimos que estava faltando energia no hotel, descemos para a portaria, e o rapaz da recepção nos informou que o problema já estava sendo resolvido. Após o café fomos procurar uma encomenda para Cmte. Almeida, fizemos sem querer um pequeno city tour na cidade. Porem devido ao horário as lojas ainda não estavam abertas, e terminamos achando a encomenda em uma loja do aeroporto.

Presentes devidamente comprados, prosseguimos para o avião via sala AIS para as informações da rota e fazer o plano de vôo. Durante a inspeção da aeronave encontramos um pequeno problema, era a abraçadeira do sensor que informa a temperatura do EGT quebrada. Então fomos dar um jeito no problema, jeito esse que atrasou a saída em aproximadamente 01:30, mas graças a Deus tudo foi resolvido.

Decolamos as 09:50 com destino a Aracajú - SE, eu tinha solicitado no plano 2.500 pés sobre o litoral, porém algum tempo depois observei que o ponteiro do combustível estava baixando mais rápido, e a temperatura EGT mais alta do que as etapas anteriores, mas claro o avião estava pesado e a temperatura externa também alta, então disse, Serjão vamos subir para ficar mais tranqüilo, pois lá em cima agente faz menos curvas no litoral e ganhamos tempo já que tínhamos atrasado nossa saída. Ao atingirmos o FL075 tudo voltou ao normal consumo e temperaturas.

Bloqueamos Salvador voando sobre os corredores Caixa Prego, Axé e por fim o corredor Forte. Voamos sobre uma camada mais densa de Estratocumulus que não nos possibilitou ver a ilha de Itaparica completa como também o aeroclube local, visual mesmo só na vertical do Farol da Barra. Então foi proa de SBAR sempre desviando de Cumulus e Estatocumulus, foi a parte da viajem que apareceram mais nebulosidades.

Próximo a SBAR o tempo limpou mais e prosseguimos na descida normal. Aproximadamente 00:20 fora, apareceram dois tráfegos Tucano da AFA fazendo treinamento de toque e arremetida. Prosseguimos como número três para pouso com um A320 da TAM no ponto de espera aguardando nosso pouso para então iniciar a sua decolagem. Acho que o MRM não tinha se sentido tão importante, visualizado no TCAS do Gol, um TAM aguardando o nosso pouso para poder prosseguir, como a aviação de ultraleves mudou nos últimos anos.

Para não perdermos tempo pedi ao Serjão para acompanhar o abastecimento enquanto fazia o plano, cada minuto era importante, pois qualquer atraso poderíamos não chegar a tempo. Assim o fizemos e 00:10 antes do horário previsto para calços fora, já estávamos a postos e chamando o controle Aracajú, que nos autorizou a decolagem. Informamos nossa decolagem as 13:45 prosseguido para SNJO agora no FL055.

Para ganharmos tempo optamos por voar paralelo a aerovia G677 ficando entre a mesma e o litoral sem fazer muitas curvas. Passamos o través de Maceió com direito a ver o Aeroboero do aeroclube local fazendo vôo de instrução, após fomos ciceroneados pelo controlador de Maceió-AL SBMO, após notar que não éramos da área fez questão de dizer o nome de cada praia que passávamos até o limite da terminal Recife quando nos transferiu, agradeci e disse-lhe que as praias e a tarde estavam muito bonitas.

Freqüência do APP Recife selecionada no VHF e já estávamos na sua escuta e sob vigilância radar. Deixamos a Ilha de Santo Aleixo a nossa direita, após o porto de Suape quando o controle nos perguntou se

Casa, quer casa, minha casa... Finalmente em casa,
em João Pessoa/PB

poderíamos descer para 1.500 pés para segundo ele, facilitar nossa passagem pelo Aeroporto do Guararapes. Respondi que negativo, gostaríamos de manter o FL055 para melhor desempenho da aeronave, então ele pediu para reportar 20 milhas fora, depois pediu que reportássemos a 10 milhas, então fomos autorizados a prosseguir para cruzamento na vertical do aeródromo onde o Serjão ficou acompanhando os pousos e decolagens das aeronaves.

Então escutei o controle dizer, mantenha o nível e reporte no través de Tambaba-PB. Já estávamos nos sentindo em casa, tudo aberto na frente e a certeza após alguns cálculos anteriores que chegaríamos antes do por do sol. Pedimos a descida e o controle nos transferiu para os cuidados da torre Pessoa onde prosseguimos com ele até o ingresso do tráfego do nosso Aeroclube.

Nosso ninho - João Pessoa
SNJO - Aeroclube da Paraíba.

Informei o ingresso no circuito e que considerasse nosso pouso dentro de mais dois minutos, para livrar a freqüência e poder efetuar uma passagem de apresentação sobre a pista. Ao fazermos a passagem olhei para baixo e vi que tinha várias pessoa nos aguardando, então não resisti e fiz uma coordenação sobre o eixo, cumprimentando a todos e em seguida entramos no tráfego e pousamos as 17:00 fazendo um total de 03:15 de vôo desde Aracaju-SE.

Da mesma forma que no outro translado fomos recebidos pelos amigos, toda a família do Serjão estava presente e para a minha surpresa a minha família também estava lá.

Fiquei muito feliz por ter cumprido mais esse vôo com toda a segurança possível, tendo abordo como companheiro o feliz proprietário da aeronave o amigo Serjão e o Comandante maior para nos guiar DEUS, e por ter contribuído para a realização do sonho de um amigo.

Serjão e Viviana, muito abrigado pela confiança depositada, espero que vocês sejam muito felizes com a nova aeronave e que desfrutem de ótimos vôos daqui para frente.

Deixo um abraço a todos e até o próximo vôo.

João Pessoa/PB, Outubro de 2007

Fernando de Castro Gama.

 

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