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Antiga Porto de Leopoldina, foi fundada em 1850 e até 1938
era o principal porto de abastecimento da capital do Estado,
à época, cidade de Goiás. A cidade passou a chamar-se Aruanã
em razão da marcante presença de um peixe que tem o mesmo
nome e que também significa uma dança da tribo Karajá, a
qual era uma antiga e imensa aldeia invadida pelos
brancos e que ainda hoje, habita as margens do Rio Araguaia.
Esta cidade tem muito a ver comigo em virtude de estar
relacionada aos tempos de infância e adolescência quando às
margens do Rio Vermelho e Araguaia passávamos férias com
toda a família, irmãos, primos...era uma festa. Recordo que
no dia em que completei 18 anos estava acampado em uma praia
na confluência dos rios Cristalino e Araguaia, próximo à
ilha do Bananal.
Anos atrás, com meus filhos, voamos até Aruanã, para mostrar
a eles o cenário em que aproveitava as férias. Puro contato
com a natureza, sem violência, isolados no tempo da
perversidade que tomou conta da sociedade atual.
Hoje retorno com o SEAMAX com já fiz no começo do mês de
agosto quando fomos fazer treinamento de pouso e decolagem
na água.

Ao voar sobre o rio naquela localidade aproveitei e fins uns
toques e arremetidas em frente ao porto da cidade e
dirigimo-nos rumo a pista asfaltada de 1300m, balizada p/
pouso noturno (276m de altitude).
O guarda campo informou-me que o Dr.Anildo havia decolado
com seu SEAMX de manhãzinha para Goiânia. Não existe
abastecimento em Aruanã, mas o Anildo, como sempre muito
gentil, em conversa telefônica informou que poderia
ceder-me 30 litros de Av.Gas que havia deixado em sua
fazenda cuja sede fica localizada à 400m da cabeceira do
aeroporto.Isto permitiu que eu fizesse alguns vôos na
região.
Em seguida fomos de táxi para a pousada ACERGO na barranca
do rio, sugestão de meu irmão Robson que reside em Goiânia
e freqüentemente se hospeda ali com sua família.
Bagagens acomodadas nada melhor que um banho de piscina
naquele calorão do Centro-Oeste.
Mais tarde, depois de curtir o famoso por do sol no
Araguaia, o leito era o melhor programa depois de 5:30hs de
vôo.

Na manhã seguinte, terça-feira, fomos dar uma caminhada pela
city e mostrar alguns pontos da cidade para a Iraci que
nunca havia estado por lá. Aldeia indígena, cais do porto
onde aproveitamos para almoçar um peixe muito saboroso.

Demos uma volta na cidade, de carona com um corretor de
imóveis e retornamos para a pousada pois, tínhamos combinado
com o Maurício(barqueiro) para irmos à uma praia do rio e
depois darmos uma pescada.Foi uma tarde muito divertida ,
além do banho de rio e a praia, a pesca foi um sucesso.A
Iraci, que jamais havia pescado e,surpreendendo pela falta
de técnica(não sabia se segurava o caniço como um espanador
ou como um garfo) acabou pescando mais do que eu que, cheio
de razão, tentava orientá-la.Retornamos ao escurecer e o
resultado da pescaria(32 peixes em aproximadamente uma hora
e meia) foi servido bem frito com arroz e salada para o
pessoal da pousada.

Passamos mais um dia em Aruanã, e ao final da última tarde
fui até ao Aeroporto fiz um vôo com o Mauricio (nunca havia
voado) e mais um gurizinho de uns 7 anos, louco por avião,
cujo pai adotivo José Honorato, era um conhecido que eu não o
via há mais de 35 anos. Abasteci com a gasolina cedida pelo
Dr.Anildo e deixei o avião inspecionado, pronto para decolar
no outro dia cedo.

Dia 13 de Setembro de 2007, meu aniversário de 63 anos. O dia
não poderia ter começado melhor, voando de Aruanã para
Goiânia e ali encontrado meus parentes para comemorar com um
almoço no restaurante de comida típica Dona Melica.
Deixei o SEAMAX na Fly, aos cuidados do Wander para fazer
uma revisão de 50 horas na garça.
Permanecemos 5 dias em Goiânia curtindo família e velhos
amigos.
Dia 19, uma quinta feira de muita fumaça no Centro-Oeste
decolamos da Escolinha (Aeródromo Brigadeiro Ephingaus) com
proa Sul.
Goiânia - Erechim

Iraci, eu e Goiânia.
Decolamos eram umas 07:30 locais com destino à Votuporanga
em SP.
Mantive 3500 Ft na escuta do controle Anápolis e com o
transponder acionado em 2000 voei até o limite da terminal
sendo que nesta área o PCAS(Portable Collision Avoidance
System) foi de muita utilidade pois mostrou com precisão os
tráfegos na área.
A visibilidade limitada pela fumaça nesta época é bem
conhecida dos pilotos que voam por aqui e o aeroporto de
Goiânia estava operando por instrumentos em virtude disto.
Após sair da TMA, subimos para o FL045 na proa do destino e
depois de cruzar o rio Paranaíba entrando em MG e o rio
Grande limite de SP estávamos no visual com Votuporanga em
um tempo de vôo abaixo do estimado,beneficiado por um vento
de cauda que fez o SEAMAX voar em velocidade de gente
grande(em torno de 108Kt) o que foi compatível com a carta
de vento que eu tinha consultado na noite anterior no "site"
de meteorologia da FAB.
Ao pousar e dirigir-me para o ponto de abastecimento uma
surpresa! Eu havia esquecido na Fly em Goiânia as chaves dos
tanques do avião. Puts...e agora? Felizmente as pessoas que
estão envolvidas com o vôo são de uma solidariedade
comovente e, após uma meia hora, já estava ali um chaveiro da
cidade abrindo os tanques e fazendo uma chave nova. Acabamos
atrasando quase 1 hora por ali, o que não foi de todo ruim
pois travamos bom papo com alguns alunos do aeroclube e o
instrutor de vôo que é aqui do Sul.
Decolamos de Votuporanga com proa de Arapongas no PR com a
finalidade de abastecimento para a última etapa do vôo.
Estamos voando no Sul de SP e a fumaça continua limitando a
visibilidade.
Passamos na vertical de Iepê quase na divisa do estado do
Paraná onde reside nosso amigo Uilson.
Pousamos em Arapongas, ansiosos para abastecermos rápido a
fim de chegar antes do por do sol em Erechim uma vez que a
intensidade do vento norte havia diminuído e na verdade
quase não se fazia sentir e haveria a possibilidade de até
encontrarmos vento de proa nesta ultima perna da viajem.

Panorâmico de Cascavel/PR.
Quando a gente tem pressa algumas coisas podem acontecer
como esquecer a chave do tanque, ou o abastecedor não se
encontrar no local, o que ocorreu no aeroporto em Arapongas
e tive que esperar mais uma meia hora pra chegada do
vivente.Coisas incoerentes com o vôo e que já aconteceu
várias vezes em minha atividade de piloto. As vezes para um
vôo de uma hora e meia e tínhamos de esperar 30 minutos
pela ausência do pessoal do abastecimento.Algumas ocasiões,
em outras épocas, nem consegui abastecer tendo que modificar
meu planejamento em virtude disto.
Após decolagem, aproamos Erechim para última etapa do vôo
que foi completada em 3 horas, sem alterações,com diminuição
da névoa e também do vento de cauda, mas ao contrário do que
a previsão ameaçava, nada de chuvas,trovoadas e granizo na
região, coisa que na verdade só aconteceu na tarde do outro
dia.
Deixamos Manoel Ribas um pouco à esquerda e depois
sobrevoamos uma região do sudoeste do Paraná onde existem
umas linhas de elevações paralelas como se fosse franjas,
sugerindo que acomodações sísmicas devem ter ocorrido ali em
épocas remotas.Sempre observei com interesse estas formações
pois, freqüentemente voava por ali, em rota de Erechim para
São José do Rio Preto.
Palmas, Guarapuava e Concórdia(SC) ficaram também à esquerda
da rota e logo já estávamos sobrevoando o rio Uruguai e
suas barragens, limite de Santa Catarina com o Rio Grande do
Sul e os municípios da região norte do estado onde se
localiza nossa cidade.

De volta ao ninho, em Erechim, depois de percorridos 3.700
Km em 24 horas de vôo tranqüilo e na maior curtição.
Às 17:15 locais pousamos de volta em Erechim, após 12 dias
da nossa partida em uma viagem de 24 horas de vôo que nos
proporcionou mais uma vez a oportunidade de encontros e
reencontros com paisagens e pessoas ao mesmo tempo distantes
e tão próximas para quem como nós tem o prazer e a graça de
sermos pilotos, comunidade privilegiada, parceiros dos
tempos e das distancias, amigos das nuvens e dos ventos,
peregrinos de todas paisagens e habitantes de todas
paragens.
Setembro de 2007
Jason de Santana
Filho
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Cmte. Jason |

Copila Iraci |
"Anos atrás, com meus filhos,
voamos até Aruanã,
para mostrar a eles o cenário em que
aproveitava
as férias". |

Seamax - PU-KQE |
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