Uma aventura no PU-KQE - Erechim / Aruanã / Erechim

4- retornando à Erechim/RS

- Jason de Santana Filho -

 1- em direção à Nhecolândia  :  2- na Pousada Caburé  :  3- o destino é Aruanã  :  4- retornando para Erechim

Antiga Porto de Leopoldina, foi fundada em 1850 e até 1938 era o principal porto de abastecimento da capital do Estado, à época, cidade de Goiás. A cidade passou a chamar-se Aruanã em razão da marcante presença de um peixe que tem o mesmo nome e que também significa uma dança da tribo Karajá, a qual era uma antiga e imensa aldeia invadida pelos brancos e que ainda hoje, habita as margens do Rio Araguaia.

Esta cidade tem muito a ver comigo em virtude de estar relacionada aos tempos de infância e adolescência quando às margens do Rio Vermelho e Araguaia passávamos férias com toda a família, irmãos, primos...era uma festa. Recordo que no dia em que completei 18 anos estava acampado em uma praia na confluência dos rios Cristalino e Araguaia, próximo à ilha do Bananal.

Anos atrás, com meus filhos, voamos até Aruanã, para mostrar a eles o cenário em que aproveitava as férias. Puro contato com a natureza, sem violência, isolados no tempo da perversidade que tomou conta da sociedade atual.

Hoje retorno com o SEAMAX com já fiz no começo do mês de agosto quando fomos fazer treinamento de pouso e decolagem na água.

Ao voar sobre o rio naquela localidade aproveitei e fins uns toques e arremetidas em frente ao porto da cidade e dirigimo-nos rumo a pista asfaltada de 1300m, balizada p/ pouso noturno (276m de altitude).

O guarda campo informou-me que o Dr.Anildo havia decolado com seu SEAMX de manhãzinha para Goiânia. Não existe abastecimento em Aruanã, mas o Anildo, como sempre muito gentil, em conversa telefônica informou que poderia ceder-me  30 litros de Av.Gas que havia deixado em sua fazenda cuja sede fica  localizada   à 400m da cabeceira do aeroporto.Isto permitiu que eu fizesse alguns vôos na região.

Em seguida fomos de táxi para a pousada ACERGO na barranca do rio, sugestão de  meu irmão Robson que reside em Goiânia e freqüentemente  se hospeda ali com sua família.

Bagagens acomodadas nada melhor que um banho de piscina naquele calorão do Centro-Oeste.

Mais tarde, depois de curtir o famoso por do sol no Araguaia, o leito era o melhor programa depois de 5:30hs de vôo.

Na manhã seguinte, terça-feira, fomos dar uma caminhada pela city e mostrar alguns pontos da cidade para a Iraci que nunca havia estado por lá. Aldeia indígena, cais do porto onde aproveitamos para almoçar um peixe muito saboroso.

Demos uma volta na cidade, de carona com um corretor de imóveis e retornamos para a pousada pois, tínhamos combinado com o Maurício(barqueiro) para irmos à uma praia do rio e depois darmos uma pescada.Foi uma tarde muito divertida , além do banho de rio e a praia, a pesca foi um sucesso.A Iraci, que  jamais havia pescado e,surpreendendo pela falta de técnica(não sabia se segurava o caniço como um espanador ou como um garfo) acabou pescando mais do que eu que, cheio de razão, tentava orientá-la.Retornamos ao escurecer  e o resultado da pescaria(32 peixes em aproximadamente uma hora e meia) foi servido bem frito com arroz e salada para o pessoal da pousada.

Passamos mais um dia em Aruanã, e ao final da última tarde fui até ao Aeroporto fiz um vôo com o Mauricio (nunca havia voado) e mais um gurizinho de uns 7 anos, louco por avião, cujo pai adotivo José Honorato, era um conhecido que eu não o via há mais de 35 anos. Abasteci com a gasolina cedida pelo Dr.Anildo e deixei o avião inspecionado, pronto para decolar no outro dia cedo.

Dia 13 de Setembro de 2007, meu aniversário de 63 anos. O dia não poderia ter começado melhor, voando de Aruanã para Goiânia e ali encontrado meus parentes para comemorar com um almoço no restaurante de comida típica Dona Melica.

Deixei o SEAMAX na Fly, aos cuidados do Wander para fazer uma revisão de 50 horas na garça.

Permanecemos 5 dias em Goiânia curtindo família e velhos amigos.

Dia 19, uma quinta feira de muita fumaça no Centro-Oeste decolamos da Escolinha (Aeródromo Brigadeiro Ephingaus) com proa Sul.

 

Goiânia - Erechim

Iraci, eu e Goiânia.

Decolamos eram umas 07:30 locais com destino à Votuporanga em SP.

Mantive 3500 Ft na escuta do controle Anápolis e com o transponder acionado em 2000 voei até o limite da terminal sendo que nesta área o PCAS(Portable Collision Avoidance System) foi de muita utilidade pois mostrou com precisão os tráfegos na área.

A visibilidade limitada pela fumaça nesta época é bem conhecida dos pilotos que voam por aqui e o aeroporto de Goiânia estava operando por instrumentos em virtude disto.

Após sair da TMA, subimos para o FL045 na proa do destino e depois de  cruzar o rio Paranaíba entrando em MG e o rio Grande limite de SP estávamos no visual com Votuporanga em  um tempo de vôo abaixo do estimado,beneficiado por um vento de cauda que fez o SEAMAX voar em velocidade de gente grande(em torno de 108Kt) o que foi compatível com a carta de vento que eu tinha consultado na noite anterior no "site" de meteorologia da FAB.

Ao pousar e dirigir-me para o ponto de abastecimento uma surpresa! Eu havia esquecido na Fly em Goiânia as chaves dos tanques do avião. Puts...e agora? Felizmente as pessoas que estão envolvidas com o vôo são de uma solidariedade comovente e, após uma meia hora, já estava ali um chaveiro da cidade abrindo os tanques e fazendo uma chave nova. Acabamos atrasando quase 1 hora por ali, o que não foi de todo ruim pois travamos bom papo com alguns alunos do aeroclube e o instrutor de vôo que é aqui do Sul.

Decolamos de Votuporanga com proa de Arapongas no PR com a finalidade de abastecimento para a última etapa do vôo.

Estamos voando no Sul de SP e a fumaça continua limitando a visibilidade.

Passamos na vertical de Iepê quase na divisa do estado do Paraná onde reside nosso amigo Uilson.

Pousamos em Arapongas, ansiosos para abastecermos rápido a fim de chegar antes do por do sol em Erechim uma vez que a intensidade do vento norte havia diminuído e na verdade quase não se fazia sentir e haveria a possibilidade de até encontrarmos vento de proa nesta ultima perna da viajem.

Panorâmico de Cascavel/PR.

Quando a gente tem pressa algumas coisas podem acontecer como esquecer a chave do tanque, ou o abastecedor não se encontrar no local, o que ocorreu no aeroporto em Arapongas e tive que esperar mais uma meia hora pra chegada do vivente.Coisas incoerentes com o vôo e que já aconteceu várias vezes em minha atividade de piloto. As vezes para um vôo de  uma hora e meia e tínhamos de esperar 30 minutos pela ausência do pessoal do abastecimento.Algumas ocasiões, em outras épocas, nem consegui abastecer tendo que modificar meu planejamento em virtude disto.

Após decolagem, aproamos Erechim para última etapa do vôo que foi completada em 3 horas, sem alterações,com diminuição da névoa e também do vento de cauda, mas ao contrário do que a previsão ameaçava, nada de chuvas,trovoadas e  granizo na região, coisa que na verdade só aconteceu na tarde do outro dia.

Deixamos Manoel Ribas um pouco à esquerda e depois sobrevoamos uma região do sudoeste do Paraná onde existem umas linhas de elevações paralelas como se fosse franjas, sugerindo que acomodações sísmicas devem ter ocorrido ali em épocas remotas.Sempre observei com interesse estas formações pois, freqüentemente voava por ali, em rota de Erechim para São José do Rio Preto.

Palmas, Guarapuava e Concórdia(SC) ficaram também à esquerda da rota e logo já estávamos sobrevoando  o rio Uruguai e suas barragens, limite de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul e os municípios da região norte do estado onde se localiza nossa cidade.

De volta ao ninho, em Erechim, depois de percorridos 3.700 Km em 24 horas de vôo tranqüilo e na maior curtição.

Às 17:15 locais pousamos de volta em Erechim, após 12 dias da nossa partida em uma viagem de 24 horas de vôo que nos proporcionou mais uma vez a oportunidade de encontros e reencontros com paisagens e pessoas ao mesmo tempo distantes e tão próximas para quem como nós tem o prazer e a graça de sermos pilotos, comunidade privilegiada, parceiros dos tempos e das distancias, amigos das nuvens e dos ventos, peregrinos de todas paisagens e habitantes de todas paragens.

Setembro de 2007

Jason de Santana Filho

 

Cmte. Jason

Copila Iraci

"Anos atrás, com meus filhos,
voamos até Aruanã, para mostrar a eles o cenário em que
aproveitava as férias
".

Seamax - PU-KQE