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Ao decolar neste 10/09/07 da pista da Pousada Caburé, ainda
fiz um toque e arremetida na lagoa ao lado como se o Seamax,
riscando as águas pantaneiras deixasse ali sua assinatura em
um compromisso de breve retorno.
O vento NE de frente já estava autoritário nesta hora e para
desafiá-lo resolvi voar baixo para quem sabe o atrito com o
solo jogasse do meu lado para diminuir o efeito da ventania.

Depois de algumas fazendas, raros focos de incêndios na seca
Nhecolandia e a visão da parte mais baixa da Serra de
Maracajú, atendendo ao aviso de "Terrain, terrain, pull up,
pull up" do Enigma e a vermelhidão no "GPWS" (Ground
Proximity Warning System) do GPS Skymap, não tive outra
alternativa senão colocar o nariz do Seamax para cima e
injetar algumas polegadas de MP no valente Rotax 912S para
chegar na altitude adequada em Coxim.
Estávamos com os tanques lotados além de duas malas, algumas
ferramentas e outros acessórios menores mas o avião tinha
uma razão de subida adequada para galgar aqueles poucos
metros de elevações.
Ao sobrevoar a cidade, percebemos que o Rio Coxim também
está carente de água deixando aparecer em alguns locais
areias em suas margens e o tom avermelhado de seu fundo
barrento.
A pista desta cidade em uma de suas margens possui um
reflorestamento ao longo de sua extensão, o que a protege de
certa forma dos ventos do quadrante NE que estavam naquele
momento soprando em fortes rajadas.

Foi muito rápida a estada em Coxim, o suficiente para
abastecermos com 26 litros e a usual drenada no tanque
inferior da tripulação.
Após a decolagem rumamos com a proa de Alto Araguaia, pois
tínhamos o interesse de naquele local começar a observação
do rio Araguaia.
Por um tempo sobrevoamos o curso do rio Taquari e do
Ariranha passando entre as elevações e tabuleiros da serra
de Santa Marta que em alguns pontos se assemelham à
gigantescas escadarias e em outros locais morros isolados
escarpados transmitem uma sensação de que realmente estamos
em terras desconhecidas e muito longes de casa.

Após 01:40 de vôo, Alto Araguaia e Santa Rita do Araguaia
surgiram à frente e em nosso trajeto observamos algumas
construções grandes e relevo de terra revolvida além de uma
linha de trem com grande composição trafegando sugerindo que
algum tipo de atividade de mineração existe por ali.
Logo visualizamos o Rio Araguaia que aqui, humilde,
estreito, engatinha para o norte em um trajeto sinuoso
despencando para seu vale, escapando do planalto do Mato
Grosso.
Goiás, meu estado natal aparece à direita, separado do MT
por este rio, palco de tantas aventuras e deleite nos meus
tempos de menino e adolescente.
Após seguir o rio por algum tempo, optei por tomar uma proa
direta para Aragarças ,pois, embora estivéssemos
alimentados pelo generoso café da manhã em Caburé e uma
reserva de chá gelado e “xipas” feitas pela D.Elza,
trazidas conosco, gentilmente oferecidas pelo Paulenir,
estávamos ansiosos para dar uma estirada no corpo pois já
voávamos à quase 02:20 hr e ainda teríamos em torno de
01:00 para o destino.
Na opção de proa direta,abandonei o
vale do rio e tivemos que subir para enfrentar terreno mais
alto da serra do Caiapó. À esquerda identificamos Torixoréu e
Baliza. e voltamos novamente ao vale do Araguaia já
enxergando à nossa esquerda o rio Garças que ali na frente
cede sua identidade ao irmão Araguaia recebendo em troca a
cidade de Barra do Garças em sua margem que se irmana à
Aragarças em território goiano, ligadas por pontes.

Aragarças. AvGás mais barata da região.
Pela direção do vento escolhi a pista 01 para pouso e, já
no solo abrimos o canopí para, durante o táxi, garantir um
fluxo extra de ar naquele calorão do meio dia.
Após o abastecimento de Av.Gás por preço mais barato de toda
rota até agora(com exceção de Cascavel no Clube Aeroleve,
por deferência do Artur pagamos preço de associado)
resolvemos descansar um pouco no solo para prosseguir em
mais 01:15 estimados para Aruanã.
Na realidade, eu não tinha certeza que Aragarças estava
operando e se havia combustível pois tinha conhecimento
alguns tempos atrás que o aeródromo desta localidade estava
interditado e a última vez que por ali passei já faziam uns
9 anos. Entretanto sabia que Barra do Garças do outro lado
do rio, tinha combustível e burocracia. Interrogando no
rádio em 123.45 se alguém tinha informação sobre Aragarças,
uma aeronave ali baseada, em vôo, procedente do interior de
São Paulo me passou todas as coordenadas e por esta razão
decidi fazer ali nossa escala.

Por quase duas horas ficamos na área do aeródromo que por
sorte tinha uns frondosos cajueiros carregados de frutas
maduras e, além disso o encarregado do abastecimento havia
colocado algumas delas na geladeira e nos presenteou, o que
foi um verdadeiro banquete já que a minha companheira Iraci
não conhecia esta fruta assim "in natura" pois não existe no
Sul.
Sentados na varanda do escritório da empresa de
abastecimento, ouvindo estórias do Paraíba, mecânico com
muitos anos de garimpo e muitos conhecidos em comum, além de
água bem gelada e cajus saborosos esta escala em Aragarças
foi realmente providencial.
Tive também o prazer de ali conhecer o Dr.Wendel, jovem
médico naquela cidade e proprietário do Minuano ali baseado
e que vinha para este destino pousando logo depois, tendo ao
comando uma pessoa de fisionomia para mim familiar de
apelido Papagaio.
Após este merecido e divertido descanso estamos outra vez no
ar na proa de Aruanã, seguindo baixo o agora caudaloso rio
emoldurado com lindas praias sendo que numerosas barracas
abandonadas nas areias testemunham a efervecente temporada
das férias quando no mês de Julho o Araguaia se torna a
Copacabana do Centro-Oeste. Numerosos barcos de pesca
singram as águas geralmente com 2-3 ocupantes em busca de
pontos estratégicos de pesca que agora tem a sua estação.

Gaúcho e carrapicho a gente encontra no Brasil inteiro.
Gente desbravadora da melhor qualidade.
Várias vezes pousamos e decolamos em lindos pontos onde o
visual era muito atrativo, se bem que o rio é um atrativo
por inteiro.
Uma coisa me chamou muito a atenção: Entre tantas fazendas
de gado às margens do rio, em uma delas do lado do Mato
Grosso estavam embarcando um enorme rebanho provocando um
poeirão vermelho sendo que nesta propriedade há uma pista
asfaltada seguramente com mais de 1500m, uma sede palaciana
e muitas áreas circulares de pastos irrigados com pivot
central. Haja capital para construir tudo isto! Não sei a
quem pertence mas deve ser de algum grupo ou pessoa
poderosa.
Após voar 01:35 hrs. de lindas paisagens, estávamos sobre
Aruanã onde aproveitei para uns toques e arremetidas no rio
dirigindo-me em seguida para o aeroporto onde já havia
estado entre 3-5 de Agosto passado.

Pousamos , descarregamos o avião,estaqueamos e de táxi fomos
para a cidade para a pousada da Acergo indicada por meu
irmão Robson que freqüentemente se hospeda ali com a
família.
Setembro de 2007
Jason de Santana
Filho
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Cmte. Jason |

Copila Iraci |
"O
visual era muito atrativo, se bem que o rio é um
atrativo por inteiro". |

Seamax - PU-KQE |
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