Uma aventura no PU-KQE - Erechim / Aruanã / Erechim

1- em direção à Nhecolândia/MS

- Jason de Santana Filho -

 1- em direção à Nhecolândia  :  2- na Pousada Caburé  :  3- o destino é Aruanã  :  4- retornando para Erechim

Eu havia menosprezado o fato que resido no sul do país e programei minha decolagem para sexta-feira dia 07/09 às 06:35 iniciando nosso vôo de Erechim em direção à pousada Caburé na região do Pantanal conhecida como Nhecolândia sendo que neste horário o vento que prometia soprar do Norte não estaria tão intenso.

Já na quinta feira deixei o Seamax inspecionado e abastecido para enfrentar a longa viagem de 1050Km para o MS.

Às 05:30 abandonamos o leito e pouco depois nos dirigimos ao Aeroporto de Erechim que para nossa decepção estava encoberto por denso nevoeiro o que  atrasou nossa partida em cerca de duas horas.

Lá pelas 08:00 começou a soprar uma brisa animadora e logo  SSER estava em condições visuais e às 08:30 disparamos pela pista 14 de Erechim.

Ao aproar norte(prôa 350) já em subida para o FL045 senti que meu planejamento de mais ou menos 7 horas de vôo até o Pantanal iria "furar" completamente pois o vento  de frente já fazia sentir seu vigor.

Saindo de Erechim, na proa de Cascavel, no FL 065

Aproado para Cascavel, voando com 23" de MP e 4850 RPM não  obtinha mais do que 65Kt de GS no GPS e consumo de aproximadamente 17,5l/h. o que fazia com que  os "waypoints" se aproximassem preguiçosamente. Bem,como gosto de voar, tempo gasto em prazer não é perdido e fora o aspecto do vento o dia estava magnífico para o vôo e a disposição ergonômica do Seamax não é causa de dores posturais apesar da idade do comandante e da co-piloto.

O tempo de vôo até o clube Aeroleve de Cascavel que no planejamento estava estimado em 02:15 duraram exatas 02:40 o que já era excessivo para a autonomia da bexiga.

Ao chegar nesta primeira escala tivemos a inestimável ajuda e recepção amigável do Artur e Eugênio, pilotos e proprietários de aeronaves daquele clube além de outros que estavam por ali e demonstraram muita curiosidade pelo Seamax. O clube Aeroleve possui pista asfaltada, abastecimento e infra-estrutura como sede social e hangares.

Na "final" da pista do Aeroclube de Cascavel.

Tanques abastecidos, bexigas drenadas lá fomos nós em direção à Dourados no MS, subindo para o FL045 disputando com o vento de frente nossa aposta de chegar ao destino na Pousada Caburé ainda naquele dia.

Toledo costumeiramente à esquerda, deixamos depois Palotina à direita antes de cruzarmos o rio Piquiri (do Paraná...claro) já avistando o volumoso Paranazão, divisa do PR com MS, engrandecido pela barragem de Foz do Iguaçu observando também a cidade de  Guairá e Salto Guairá(Paraguay) bem longe à esquerda.

Uma coisa que sempre notei em minhas viagens por estas bandas é que ao cruzar o Rio Paraná o vento Norte começa a dar uma trégua o que fez nossa GS subir para animadores 70Kt uma noticia realmente animadora para a bexiga.

Entrando no MS além da profusão de pistas de fazendas de gado, notamos que o relevo até certa época tomado pela pecuária, agora começa a mostrar algumas áreas de plantio o que não é comum nesta parte do MS, mas bastante numerosas pela região de Dourados e Maracajú onde a chegada dos Gaúchos modificou bastante o desenho da superfície.

Entre Erechim e Cascavel, a barragem da Usina Hidroelétrica de Itá, na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina.

Após 02:30 de vôo estávamos no tráfego da APLIC do Dirceu e do Junior onde pousamos e não encontramos ninguém voando apesar do feriado. Creio que talvez o pessoal estivesse lá pelo aeroporto de Dourados ou então "groundeados" pelo forte vento. Foi pena pois, esperava reencontrar o amigo e colega Dr.Claudio, radiologista e piloto entusiasta além de outros companheiros que conheço por ali.

Obedecida a rotina abastecimento/sanitários lá estávamos outra vez na posição de decolagem desta vez para aproar Aquidauana, portal do pantanal 225Km para frente e agora debaixo de um sol forte  que só não foi incômodo em virtude de eu ter colocado uns protetores solares que tenho desde a época dos translados de aviões agrícolas dos EUA e que através de ventosas  se fixam ao teto. Isto é uma ótima solução para os  que tem canopi tipo bolha.

Rio Iguaçu,e suas barragens.

A velocidade neste trecho continuou em torno de 70kt e a turbulência fez com que minha co-pilota fosse acometida de cinetose deixando mareada e descolorida quem no assento direito até então tinha se mostrado corada e sorridente. Imprevisto de quem não é do ramo.

Passamos na vertical de Maracajú com suas terras ocupadas por extensas lavouras disputando espaços com a pecuária e já avistamos lá na frente a serra que margeia o pantanal.

Após cruzar o rio Aquidauana que vem do leste e se insinua pantanal adentro enxergamos as cidades geminadas de Aquidauana e Anastácio tendo optado, naturalmente,  pelo pouso no aeroclube (Faz. Guanandy) onde encontrei um velho conhecido guarda campo e que já não via desde uns 7-8 anos quando freqüentemente eu passava ou pernoitava por ali.

Embora minha companheira desejasse intensamente que a viagem terminasse agora, ainda teria pouco mais de uma hora até a pousada Caburé o que a fez passar da coloração amarelada para esverdeada.

Sempre gosto de voar baixo sobre o pantanal, em torno de 500 ft AGL,  pois assim a gente tem oportunidade de observar a fauna nesta época seca, concentrada em torno das muitas baias (lagoas) espalhadas pela região.

A seca tem deixado o pantanal de uma cor de palha característica ao contrário da estação verde das chuvas  quando observamos uma grande profusão de águas e as vazantes sempre brilhando pelo reflexo do sol. Não identifiquei o rio Taboco e sua vazante o que presumo seja devido ao baixo nível das águas.

Voando sobre um dos raros brejos avistei alguns búfalos e com entusiasmo fiz uma curva para mostrar à minha passageira estes belos animais o que foi para mim uma frustração pois ela, ainda verde, respondia com um muxoxo, que havia visto, sem mesmo ter olhado paro o lado onde estavam.

Daí para diante, os jacarés, os tuiuiús, as garças, cervos e fazendas foram só um reencontro para meus olhos que havia anos não passavam por ali e me fizeram recordar saudoso a época em que com meus filhos e de Tupy ou Bonanza voamos tanto pela região.

O rio Negro que normalmente se espraia formando um grande número de baias e brejos  por esta parte do pantanal, no momento não é mais do que um sinuoso filete de água.

Quando faltavam uns 15 minutos para o destino um colega entrou na freqüência e chamando por meu prefixo interrogou  o meu estimado para Caburé pois o Paulenir estava na escuta do PU-KQE em 123.45 mas devido a estarmos voando muito baixo não tínhamos condição de QSO.

Pouco depois, por volta das 16:30 local (hora do MS), avistamos a pista e a estrutura da pousada Caburé, onde pousamos e fomos recebidos com um misto de profissionalismo e satisfação pelo Paulenir proprietário da pousada que fica na Fazenda São Paulino de propriedade de seu pai. Junto à ele também seus pais Sr. Paulino e Sra.Leonir nos deram as boas vindas, sendo que minha co-piloto meio desfalecida mas já evoluindo da coloração esverdeada para amarelada dava sinais que havia sobrevivido às 08:30 horas de vôo.

Setembro de 2007

Jason de Santana Filho

 

Cmte. Jason

Copila Iraci

"Uma coisa é certa...vento de proa dá um incômodo danado na bexiga".

Seamax - PU-KQE