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Eu havia menosprezado o fato que resido no sul do país e
programei minha decolagem para sexta-feira dia 07/09 às
06:35 iniciando nosso vôo de Erechim em direção à pousada
Caburé na região do Pantanal conhecida como Nhecolândia
sendo que neste horário o vento que prometia soprar do Norte
não estaria tão intenso.
Já na quinta feira deixei o Seamax inspecionado e abastecido
para enfrentar a longa viagem de 1050Km para o MS.
Às 05:30 abandonamos o leito e pouco depois nos dirigimos ao
Aeroporto de Erechim que para nossa decepção estava
encoberto por denso nevoeiro o que atrasou nossa partida em
cerca de duas horas.
Lá pelas 08:00 começou a soprar uma brisa animadora e logo SSER
estava em condições visuais e às 08:30 disparamos pela pista
14 de Erechim.
Ao aproar norte(prôa 350) já em subida para o FL045 senti
que meu planejamento de mais ou menos 7 horas de vôo até o
Pantanal iria "furar" completamente pois o vento de frente
já fazia sentir seu vigor.

Saindo de Erechim, na
proa de Cascavel, no FL 065
Aproado para Cascavel, voando com 23" de MP e 4850 RPM não
obtinha mais do que 65Kt de GS no GPS e consumo de
aproximadamente 17,5l/h. o que fazia com que os "waypoints"
se aproximassem preguiçosamente. Bem,como gosto de voar,
tempo gasto em prazer não é perdido e fora o aspecto do
vento o dia estava magnífico para o vôo e a disposição
ergonômica do Seamax não é causa de dores posturais apesar
da idade do comandante e da co-piloto.
O tempo de vôo até o clube Aeroleve de Cascavel que no
planejamento estava estimado em 02:15 duraram exatas 02:40 o
que já era excessivo para a autonomia da bexiga.
Ao chegar nesta primeira escala tivemos a inestimável ajuda
e recepção amigável do Artur e Eugênio, pilotos e
proprietários de aeronaves daquele clube além de outros que
estavam por ali e demonstraram muita curiosidade pelo Seamax.
O clube Aeroleve possui pista asfaltada, abastecimento e
infra-estrutura como sede social e hangares.

Na "final" da pista do Aeroclube de Cascavel.
Tanques abastecidos, bexigas drenadas lá fomos nós em
direção à Dourados no MS, subindo para o FL045 disputando
com o vento de frente nossa aposta de chegar ao destino na
Pousada Caburé ainda naquele dia.
Toledo costumeiramente à esquerda, deixamos depois Palotina
à direita antes de cruzarmos o rio Piquiri (do
Paraná...claro) já avistando o volumoso Paranazão, divisa do
PR com MS, engrandecido pela barragem de Foz do Iguaçu
observando também a cidade de Guairá e Salto Guairá(Paraguay)
bem longe à esquerda.
Uma coisa que sempre notei em minhas viagens por estas
bandas é que ao cruzar o Rio Paraná o vento Norte começa a
dar uma trégua o que fez nossa GS subir para animadores 70Kt
uma noticia realmente animadora para a bexiga.
Entrando no MS além da profusão de pistas de fazendas de
gado, notamos que o relevo até certa época tomado pela
pecuária, agora começa a mostrar algumas áreas de plantio o
que não é comum nesta parte do MS, mas bastante numerosas
pela região de Dourados e Maracajú onde a chegada dos
Gaúchos modificou bastante o desenho da superfície.

Entre Erechim e Cascavel, a barragem da Usina Hidroelétrica
de Itá, na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina.
Após 02:30 de vôo estávamos no tráfego da APLIC do Dirceu e
do Junior onde pousamos e não encontramos ninguém voando
apesar do feriado. Creio que talvez o pessoal estivesse lá
pelo aeroporto de Dourados ou então "groundeados" pelo forte
vento. Foi pena pois, esperava reencontrar o amigo e colega
Dr.Claudio, radiologista e piloto entusiasta além de outros
companheiros que conheço por ali.
Obedecida a rotina abastecimento/sanitários lá estávamos
outra vez na posição de decolagem desta vez para aproar
Aquidauana, portal do pantanal 225Km para frente e agora
debaixo de um sol forte que só não foi incômodo em virtude
de eu ter colocado uns protetores solares que tenho desde a
época dos translados de aviões agrícolas dos EUA e que
através de ventosas se fixam ao teto. Isto é uma ótima
solução para os que tem canopi tipo bolha.

Rio Iguaçu,e suas barragens.
A velocidade neste trecho continuou em torno de 70kt e a
turbulência fez com que minha co-pilota fosse acometida de
cinetose deixando mareada e descolorida quem no assento
direito até então tinha se mostrado corada e sorridente.
Imprevisto de quem não é do ramo.
Passamos na vertical de Maracajú com suas terras ocupadas
por extensas lavouras disputando espaços com a pecuária e já
avistamos lá na frente a serra que margeia o pantanal.
Após cruzar o rio Aquidauana que vem do leste e se insinua
pantanal adentro enxergamos as cidades geminadas de
Aquidauana e Anastácio tendo optado, naturalmente, pelo
pouso no aeroclube (Faz. Guanandy) onde encontrei um velho
conhecido guarda campo e que já não via desde uns 7-8 anos
quando freqüentemente eu passava ou pernoitava por ali.
Embora minha companheira desejasse intensamente que a viagem
terminasse agora, ainda teria pouco mais de uma hora até a
pousada Caburé o que a fez passar da coloração amarelada
para esverdeada.
Sempre gosto de voar baixo sobre o pantanal, em torno de 500
ft AGL, pois assim a gente tem oportunidade de observar a
fauna nesta época seca, concentrada em torno das muitas
baias (lagoas) espalhadas pela região.
A seca tem deixado o pantanal de uma cor de palha
característica ao contrário da estação verde das chuvas
quando observamos uma grande profusão de águas e as
vazantes sempre brilhando pelo reflexo do sol. Não
identifiquei o rio Taboco e sua vazante o que presumo seja
devido ao baixo nível das águas.
Voando sobre um dos raros brejos avistei alguns búfalos e
com entusiasmo fiz uma curva para mostrar à minha passageira
estes belos animais o que foi para mim uma frustração pois
ela, ainda verde, respondia com um muxoxo, que havia
visto, sem mesmo ter olhado paro o lado onde estavam.
Daí para diante, os jacarés, os tuiuiús, as garças, cervos e
fazendas foram só um reencontro para meus olhos que havia
anos não passavam por ali e me fizeram recordar saudoso a
época em que com meus filhos e de Tupy ou Bonanza voamos
tanto pela região.
O rio Negro que normalmente se espraia formando um grande
número de baias e brejos por esta parte do pantanal, no
momento não é mais do que um sinuoso filete de água.
Quando faltavam uns 15 minutos para o destino um colega
entrou na freqüência e chamando por meu prefixo interrogou
o meu estimado para Caburé pois o Paulenir estava na
escuta do PU-KQE em 123.45 mas devido a estarmos voando
muito baixo não tínhamos condição de QSO.
Pouco depois, por volta das 16:30 local (hora do MS),
avistamos a pista e a estrutura da pousada Caburé, onde
pousamos e fomos recebidos com um misto de profissionalismo
e satisfação pelo Paulenir proprietário da pousada que fica
na Fazenda São Paulino de propriedade de seu pai. Junto à
ele também seus pais Sr. Paulino e Sra.Leonir nos deram as
boas vindas, sendo que minha co-piloto meio desfalecida mas
já evoluindo da coloração esverdeada para amarelada dava
sinais que havia sobrevivido às 08:30 horas de vôo.
Setembro de 2007
Jason de Santana
Filho
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Cmte. Jason |

Copila Iraci |
"Uma coisa é certa...vento de proa dá um
incômodo danado na bexiga". |

Seamax - PU-KQE |
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