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Brasília - Buenos Aires: Uma aventura internacional
Edimar Araújo Filho |
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- Edimar, eu vou no meu Fascination nesta festa na Argentina. Topa ir junto? Topei na hora...
Inicio de fevereiro de 2005, meu amigo e parceiro de viagens, Cmte. Gustavo S. Chagas, de posse de um panfleto de divulgação de uma Convenção a ser promovida pela EAA-Argentina, lançou o desafio: – Edimar, eu vou no meu Fascination nesta festa lá na Argentina, topa ir junto? Topei na hora, antes que algum esperto pegasse o meu lugar.
Com o objetivo definido, passamos ao planejamento da jornada, cuidando primeiramente de realizar uma visita à Embaixada da Argentina, onde tivemos uma ótima recepção, através do Adido Aeronáutico Argentino, Cel. Sanchez, que nos orientou sobre a entrada no espaço aéreo Argentino do Fascination D4-BR, e de seus intrépidos tripulantes detentores de Licença CPR, fornecendo inclusive a carta do corredor visual de entrada na terminal de Ezeiza, assim como todas as informações úteis no nosso trajeto. Vencida esta etapa passamos a planejar a navegação que resultou em um trajeto de ida e volta equivalente a 5.173 Km, com um total de 10 pousos na ida e 08 na volta entre reabastecimentos e paradas obrigatórias para entradas e saídas internacionais (migração e aduana). Nascer do sol do dia 10/03/2005, apesar do tempo nublado, o teto acima de 1.000 pés permitiu nossa decolagem as 06:12 local, rumo sul, com um vento de cauda que nos empurrava levando a VS em alguns momentos a atingir 240 Km/h, e assim logo estávamos em Caldas Novas/GO.
Abastecimento efetuado, rumamos para Votuporanga/SP, onde o pessoal do Aeroclube local nos recebeu muito bem, providenciou um rápido reabastecimento e logo decolamos para o próximo trecho, que iria durar 02:35, passando nas verticais das pistas de Birigui/SP e Tupã/SP, rumo a Campo Mourão/PR. Após o pouso em Campo Mourão, ficamos sabendo que não havia Avgas e que o caminhão de abastecimento só chegaria em aproximadamente uma hora. Sem nada para fazer, a não ser esperar,
Após a decolagem, proa 231° rumo a Santa Rosa/RS, para um vôo de apenas 00:54, mas muito bonito, onde cruzamos pela primeira vez o rio Uruguai, entre os estados de SC e RS. Em Santa Rosa pretendíamos abastecer, para, de tanque cheio, irmos direto para Uruguaiana/RS, mas nossos planos foram frustrados, pois logo após o pouso uma das pastilhas de freio do trem direito se soltou e lá se foi um bom tempo até a colocação de nova pastilha (sorte que tínhamos uma reserva).
estávamos vendo a fronteira e sonhávamos com o momento em que realizaríamos o nosso primeiro pouso internacional no comando de uma aeronave. Despedimo-nos do pessoal do Aeroclube, e corremos para a pista, para uma bela decolagem assistindo o nascer do sol, rumo a Uruguaiana/RS, última cidade brasileira de nossa rota de ida. A trinta minutos do pouso, fizemos contato com o controle Uruguaiana que demorou a entender o nosso Papa Uniform e insistia em cotejar Papa Tango. Tudo bem, o que interessa é que após 00:57 de vôo, estávamos pousados e abastecendo o Fascination.
Foi aí que encaramos uma peleja, que tomaria mais de uma hora entre preenchimento da General Declaration (documento de saída, que deve ser preenchido no maior número de vias possível, pois todo aeroporto da Argentina onde fizer plano eles te pedem uma via), entrevistas com a Policia Federal e Receita Federal, ficha no DAC, onde o responsável nunca tinha visto um CPR ou um PU, mas mostrou rapidez e boa vontade, oito vias e quatro carimbos depois, estávamos liberados para fazer o plano de vôo para um trecho 00:05 até Passo de Los Libres-AR. Apesar de ser um pequeno aeroporto internacional, fizemos esta escolha para nosso ingresso na Argentina, pelo fato de estar próximo da fronteira, e caso houvesse algum problema e não permitissem nossa entrada, a volta seria mais curta e simples.
Decolagem de Uruguaiana às 09:15 e recebemos do controle local a mensagem que tanto esperávamos ouvir. Pronto, era a hora, como iriam receber nossa fonia? Iriam entender portunhol? Nós entenderíamos alguma coisa? Teríamos que falar em Inglês? – Vamos parar de preocupação e apertar logo este PTT.
Ora, depois de tanta preocupação com a fonia descobrimos que a fraseologia dos “hermanos” é muito parecida com a nossa, salvo pequenos detalhes, e é perfeitamente possível voar controlado na Argentina "hablando" portunhol.
Após os nossos primeiros "dois" pousos internacionais (boing, boing) – eu acho que foi o excesso de emoção! – lá fomos nós, preparados para mais uma seção de papelada, provavelmente bem mais severa, pois afinal estávamos entrando em outro país com um avião "experimental". Mas os argentinos mostraram-se, todos, muito educados e interessados, preencheram tudo para nós, cobraram uma pequena taxa de US$ 6,00 e pronto, estávamos, em apenas meia hora, autorizados a voar em todo território argentino sem qualquer restrição.
Plano de vôo feito, lá vamos nós: − Controle Libres, PU-CJN solicita acionar. − CJN notifique quando "listo para despegue". Caramba! Isto deve ser pronto para decolagem! − CJN "listo". − JN após "despegue" inicie subida e notifique dezoito milhas "afuera". − Controle Libres nós não copiamos o código Transponder. − CJN para "vuelos visuales no há necessidad de transponder". Ótimo, poderíamos fazer um vôo despreocupado, pois o controle argentino só monitora os vôos visuais através de fonia quando cruzando as terminais, não havendo necessidade de contato com Centros de Controle.
Antes de entregarmos o nosso plano de vôo, tomamos uma pequena aula com o pessoal da sala AIS, que amavelmente nos passou algumas dicas de fraseologia no idioma portenho, que foram muito úteis durante a nossa estadia. Decolagem de Concórdia numa tarde de céu azul e vento calmo às 15:14, rumo ao Aeródromo Ildefonso Durana em Gal. Rodriguez, local aonde aconteceria o encontro aeronáutico. Vôo fantástico sobre um território completamente plano, pontuado por plantações e um pasto sem fim. Voar nesta região traz muita segurança, pois o vôo é apoiado por alternativas de pouso seguro todo o tempo.
Após o pouso, em uma excelente pista de grama de 2.000 metros, estacionamos o Fascination em frente ao Hangar da EAA, e aos poucos nossos anfitriões foram chegando, e quando nos demos conta, estávamos cercados de pilotos e aficionados em geral, curiosos dos detalhes de nossa viagem, e muito mais curiosos ainda sobre os detalhes técnicos do Fascination, pois para eles era uma grande novidade uma aeronave classificada como ultraleve, possuir trem retrátil, passo variável, transponder e pára-quedas balístico, itens que lá, são pouco comuns até para as mais avançadas aeronaves experimentais.
Durante os dois dias do evento tivemos uma excelente acolhida, e participamos de um encontro bastante animado, com exposição de aeronaves antigas, ultraleves e empolgantes shows de acrobacia, inclusive com helicópteros experimentais. De todas as apresentações, a mais interessante foi a da equipe do Hangar del Cielo, que faz acrobacias com ultraleves, um S-10 (Rotax 912 com kit para vôo invertido) e um S-14 (Airale mono com Rotax 582).
Na chegada em Bagé sofremos alguns contratempos nos trâmites de entrada, pois não observamos que para vôos internacionais, o aeroporto só opera com aviso prévio de 24hs. Mas graças à boa vontade de alguns (pessoal da Infraero, P.F., e Receita), conseguimos resolver tudo no mesmo dia e nos aceitaram de volta em nosso país. No aeroporto de Bagé não há reabastecimento. Como solução, decolamos para o Aeroclube ali perto, onde uma turma muito legal conseguiu 30 litros de Avgas, que nos levaram até Cachoeira do Sul/RS, aonde devido ao atraso ocorrido em Bagé, já chegamos próximo ao por do Sol, não restando outra alternativa além do pernoite.
meteorológicas atualizadas, após um vôo de 02:53 (que deveria durar em condições normais 01:50), voltamos ao solo em SSOE. Daí em diante, fizemos o inverso do percurso da ida, e às 18:15hs do dia 15/03/2005, após uma jornada de volta marcada pelo tempo ruim, pousamos na pista 29 da APUB/DF, onde ao contrário de nossa saída de madrugada, uma turma animada nos esperava com a cerveja gelada que estávamos precisando.
Para aqueles que curtem um vôo mais longo, fica o aviso para que, independente do destino (região conhecida ou não), o planejamento é fundamental. Cartas, Rotaer, GPS carregado com rotas alternativas e waypoints próximos à rota (preferencialmente GPS aeronáutico), são básicos, pois quando o tempo esta bom, tudo isto pode ser demais, mas quando a coisa engrossa, aí pode estar a diferença para um final feliz. Hoje em dia, com o auxilio da Internet, é possível pesquisar os aeródromos homologados de qualquer país e planejar a viagem com conhecimento prévio de freqüências de controle, estado das pistas, abastecimento, condições especiais de tráfego, etc., portanto faça um bom planejamento e boa viagem. Abaixo anexamos ficha técnica do vôo com os dados de escalas, horários, tempo de vôo e consumo:
Você que curtiu o relato, pode agora fazer a viagem pelas fotografias do Edimar e Gustavo.
Vale a lembrança de que este "trio" foi homenageado pela EAA, com a A "Segunda Mención Travesía": Carlos Paz-Gez en tryke: Mario Trinchera como pode ser conferido no site http://www.eaa.org.ar/eventos.htm Abraços a todos e bons vôos, a equipe da aventura
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