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A viagem de Recife (PE) a Vera Cruz (BA) feita pelo
Evaldo Araújo e Edward Xavier,
não foi bem uma
aventura. Afinal de contas, de Recife a Vera Cruz na Bahia, não
constituí mais nenhuma aventura depois do nosso acesso aos
avançados, embora alguns colegas ainda achem que, no mínimo, foi uma
falta de respeito com algumas normas de conservação da vida, o que
não concordamos, pois tínhamos um veiculo forte e já adaptado para
voar nessa condições.
Havíamos
feitos por varias vezes o trajeto para João Pessoa, Mossoró, Ceará
Mirim, Paulo Afonso, e em todas essas oportunidades sem nenhum tipo
de problema de natureza técnica ou de navegação. Então, decidimos
seguir para Vera Cruz onde só o tempo (famoso não de relógio mas de
meteorologia) seria nosso competidor.
Fizemos nosso
plano de vôo no inicio até Maceió onde abasteceríamos a aeronave no
Aeroclube local, que diga-se de passagem sempre fomos bem
recepcionados por todos. Depois de abastecidos resolvemos pedir
3.500' (vínhamos a 1.000' por questão de cenário) e a mudança de
altitude só melhorou a segurança.

Continuamos
descortinando um visual incrível - somos nordestinos mas não
conhecíamos a beleza de litoral brasileiro vista desta altitude;
passamos por Aracajú sem nenhuma tipo de problema de navegação e
seguimos na vertical do litoral em direção a Salvador onde, não
conhecendo a existência de um corredor visual que facilitaria nossa
vida, fomos obrigados a cumprir uma tarefa para fazer a travessia do
Aeroporto de Salvador (Dep Luiz Eduardo).
Como dizemos,
coisa de iniciante na arte de navegar por outras bandas, tivemos de
entrar na perna do vento deste aeroporto e cruzar a torre a 1.500'.
No caso de usar o corredor poderíamos nesta mesma altura passar em
frente ao prolongamento da 10 na vertical da praia, com menos tempo
e menos combustível. Aprendemos!
Seguimos para o
farol da Barra, onde aconteceu outra coisa interessante: há muito
não íamos a Salvador e, por alguns instantes, confundimos o McDonald
local com o farol da Barra. Como tínhamos que informar ao Controle a
passagem pelo farol, quando anunciamos o cruzamento da vertical do
farol, ouvimos um redondo - "Não, os senhores estão na vertical do
McDonald". Puxa!!! e não era que eles estavam certos? Nada a dizer
senão reconhecer que erramos e seguir em frente tentando ajustar e,
ai sim, ao chegarmos em cima do farol anunciamos e o controle
prontamente nos passou para a 123,45 que controla Vera Cruz em
questões de pouso, pára-quedismo e outras atividades.
Atravessamos
aquela lindura a 1.500' sem nem pensar, nem por um simples momento,
que o motor podia parar e outras cozitas tais que vocês estão
cansados de ouvir. Aí, foi só pegar a cabeceira do SNVR, onde sempre
ouvimos que o vento é terrível e que dificilmente a gente escapa de
alguma coisa. Ledo engano, um pouco mais de velocidade e um pouso
quase tranqüilo.
Não precisa dizer que tudo correu bem neste lindo
local que tem apoio de todo tipo e era uma tarde de domingo já após
as 14.00 h local. Nota 1000.
Quem não conhece
a Bahia não pode imaginar uma travessia da Baia de Ferry, tarde de
domingo, barco cheio, turista a torto e a direito. Precisa mesmo
conhecer, é bem dificil descrever este verdadeiro carnaval fora de
época que o baiano provoca. Chegamos do outro lado e pegamos um
motorista um pouco mais sabido que os outros, que nos fez rodar mais
do que o normal. Tudo bem, já que estávamos anestesiados com tanto
vôo, um longo passeio de carro até veio a calhar.
No hotel,
descanso e até um "Fantástico" pintou no fim de noite.
Dia seguinte,
segunda dia reservado para turismo, compras, enfim roupa de turista
mesmo.
Terça foi quase
um repeteco da segunda; quarta não resistimos: tínhamos que ver
nosso bichinho. Já municiados de carro, fomos de ferry até
nossa bela ilha (Itaparica) onde se instala o Aeroclube. Vera Cruz é
o lugar, hospitalidade por todos os lados, estava lá nosso querido
transporte. Fizemos um cheque, olhamos motor, suas ligações, enfim,
todas aquelas coisas que podiam nos trazer problemas na volta.
Abastecemos e foi aí que constatamos o consumo – 13,5 l/hora, bem
razoável para um motor de 80 HP.

Nos despedimos
dele e seguimos para nos abastecer. Fomos almoçar, claro, peixe
muito bem preparado e regado a cerveja como manda o figurino.
Já descansados e
mais alegres do que o normal voltamos para o ferry boat que
estava no ponto ideal, depois hotel e ficar torcendo para que a
Internet nos informasse do tempo para aquele fim de semana. Quinta
repetimos a programação anterior, ou seja éramos turista e turista
compra, visita, etc.
Tivemos a
oportunidade de conhecer a sala AIS do Aeroporto Dep. Luiz Eduardo e
constatamos que havia um corredor visual para ir e voltar a SNVR. Na
realidade existem quatro corredores nos proporcionando, todas as
possibilidades para deslocamentos.
O nosso em
questão, tinha um teto de 500' e todos os rumos para as direções
escolhidas, (nós poderíamos criar no Fórum da Abul um local para
publicar estes corredores do Brasil, claro, depois de devidamente
homologados pela autoridade competente).

Bem escolhemos
nossa volta para sexta-feira, diante das possibilidades do tempo.
Saímos então cedinho do hotel para pegar um pequeno barco bem junto
do elevador Lacerda e depois de 45 minutos estávamos dentro de uma
Van que, enfim, nos levaria até SNVR.
Já apostos nos
assentos da nossa máquina, começamos a viagem de volta. Aqui,
abrimos um pequeno parêntesis: Como saímos de Salvador, nada
incomum seria telefonar para a Sala AIS e pedir plano de vôo para o
dia seguinte.

Logo após iniciar aquela lenga-lenga que todos sabemos,
o interlocutor (muito educado) nos informa que para sair de SNVR não
é necessário este tipo de comunicação. Ficamos super satisfeitos
pois agora os "calços fora" seria na hora que chegássemos em SNVR e
decolássemos, sem correria ou reza para não termos atrasos.
Decolamos e
logo que nivelamos em 500' anunciamos ao Controle nossa
intenção de fazer SNVR – SNEM com escala em Maceió para
abastecimento. Tudo certo e bem controladinho, já que você tem uma
receita diante de você - o corredor visual até a passagem frente a
10 é facilitada - seguimos até Praia do Forte nos 500' e daí por uma
longa hora fomos a 5500'. Aí, temos uns fixos a comunicar e tínhamos
alguns colegas na rota (JC). Enfim, este tipo de emoção que a maioria
já passou. O único destaque desagradável foi chegarmos a Maceio,
reabastecer, e partir comunicando ao Controle Maceió nossa intenção
e
este mandar esperar e obrigar nova aterrissagem para pedir, via
telefônica, novo plano de voo. Puxa, nós não já havíamos estabelecido
nossa intenção quando saímos de SNVR? Sem discussão, descemos,
telefonamos, pedimos o menor tempo no solo e subimos novamente com
um tempo feio e ameaçador.
Chuvas intermitentes nos pegou em pontos
isolados sem nenhuma conseqüência para a hélice da aeronave. Mantida
a visibilidade, logo chegamos a SNEM onde nos esperavam os colegas
ansiosos por noticias. Gostamos e prometemos voltar a noticia com a
próxima viagem, SNEM – SNFF (Fortaleza).
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