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FATOR HUMANO NOS ACIDENTES AERONÁUTICOS - 25/4/2016
Gustavo Albrecht

Com o acidente do Roger Agnelli ocorrido recentemente em SBMT, surgiram várias indagações...algumas afirmações...outras divagações...
Não temos uma estatística formal sobre acidentes com nossa aviação esportiva nem uma análise científica ( Investigação do acidente pelo CENIPA)  que levante os fatores contribuintes ao acidente, mas podemos afirmar que, mesmo quando há alguma falha material, ela decorre do erro humano... na manutenção.

A maioria dos acidentes tem a “falha operacional” como o fator mais importante no elenco de        “fatores contribuintes” e isto nos preocupa...

A falha humana em decorrência de uma formação inadequada do piloto, é inaceitável...temos como evitar isto através de um voo de cheque minucioso...é certo que não temos muita “ingerência” no curso que uma escola “CERTIFICADA pela ANAC” dá a seus alunos mas, através de nossos Checadores Credenciados podemos evitar que pilotos mal formados sejam aprovados e recebam sua habilitação.

Nossa missão é, por vezes, dificultada pela própria ANAC que credencia como Checador uma pessoa ligada operacional ou comercialmente à escola, atitude frontalmente oposta à adotada pela ABUL. Procuramos sempre credenciar pessoas sem ligação com a escola e com o grupo de alunos...o ideal seria termos recursos para pagar uma passagem e enviar o Checador de uma região para checar alunos de escolas de outra região...

No interior de S. Paulo fui compulsado a “furar” esta regra pois o dono da escola de ultraleves tinha outra escola certificada pela ANAC para outro tipo de aeronave e, apesar de ser o dono da escola, a ANAC o credenciou como Checador. Fui obrigado a credenciá-lo como Checador de Ultraleves.

Além disto, mesmo que digam que sou velho, não aceito um piloto jamais ter feito um parafuso ou, no mínimo, uma entrada e saída de parafuso...
E já aconteceu...o piloto falou no rádio antes de bater..: -acho que estou em parafuso...e entrou em parafuso porque o motor parou...parafusou porque??? Ai é uma soma de manutenção errada ( parada do motor) com instrução inadequada (entrou em parafuso porque não baixou o nariz quando o motor parou... e “achava” que estava em parafuso...(não reconheceu o parafuso)... e não comandou sua saída)

Lembro que um dia meu filho, que me ajudava como Checador no Clube CEU, me pediu para deixar a função...porque? não queres mais me ajudar?...não, Pai...é porque eu fico constrangido de reprovar uma pessoa que eu chamava de “Tio” anos atrás...e não quero aprovar alguém que não esteja voando seguro...

Agora pergunto: -como o instrutor de uma escola, que vive do salario pago pela escola...e este salário é pago com o dinheiro dos alunos,  poderá reprovar este aluno que pagou pelo curso e foi apresentado pela escola como “pronto para cheque”?

Bom, mas mesmo que consigamos formar pilotos tecnicamente competentes, ainda restam os acidentes causados porque o piloto excedeu os limites...limites dele próprio ou da aeronave...não adianta nada um piloto de acrobacia a bordo de uma aeronave não acrobática, como também não adianta nada um piloto sem a qualificação “acrobacia” dentro de uma aeronave própria para realizar manobras acrobáticas...o resultado será o mesmo, se ambos tentarem fazer acrobacia...um possível acidente. A DOUTRINA DE VOO deve ser ensinada nas escolas mas, principalmente, deve ser praticada durante toda a vida do piloto.

Falo aqui da “experiência “ do piloto...a acrobacia é um extremo...
Você alguma vez deixou de fazer um voo porque julgou não ter a experiência necessária para fazê-lo? Poderia ser uma navegação mais complicada...espaços aéreos congestionados...tráfego aéreo com várias restrições, ou uma meteorologia marginal...

Ninguém nasce sabendo...os pilotos que estão vivos normalmente não foram abusados...antes de fazer estes voos como PIC-Pilot In Comand, voaram com pilotos mais experientes para aprender como se faz...
Você alguma vez pensou em fazer um curso de Recuperação de Atitudes Anormais? Garanto que aprenderias muita coisa em um ou dois voos...coisas que, com o tempo até poderias  vivenciar...mas não com a segurança de ter alguém mais experiente ao teu lado...

Meu neto, antes de aprender a decolar e pousar um avião, aprendeu comigo a fazer parafuso...entrava e saia dele com duas voltas...fazia looping e tunô...recuperava de qualquer atitude que eu colocava o RV7...depois foi aprender o resto, no Aeroclube. A teoria de voo foi a matéria que ele aprendeu antes de tudo.

As Regras do Ar devem ser obedecidas...os mínimos meteorológicos existem para “proteção” dos pilotos ...tanto para evitar CFIT-Controlled Flight Into Terrain quanto para evitar colisões com outras aeronaves no ar...respeite-as...mesmo que na tua vida profissional sejas o “Chefe”, o Presidente da tua empresa...o “todo poderoso”, isto não te salvará se cometeres erros na aviação...evite tentar “transferir” o teu sucesso como empresário para a tua atividade de laser...

Existem certos “dogmas” em aviação...acredite neles ...foi a experiência de anos e anos na aviação que deu origem aos mesmos...Pane na decolagem ...pouse em frente...Um bom pouso é consequência de uma boa aproximação...Treine aproximações sem o uso do motor...serão úteis quando tiveres um motor parado em voo...Aproveite cada voo para conhecer mais tua aeronave e para aperfeiçoar tuas aproximações.

Nossas aeronaves são experimentais...não somos obrigados pela Autoridade de Aviação Civil, a fazer manutenção em Oficinas Homologadas nem nos cobram as revisões equivalentes a das aeronaves homologadas...cobram apenas o RIAM...equivalente a IAM que todas as aeronaves homologadas devem realizar, em oficinas homologadas e , anualmente apresentar o comprovante de sua realização à ANAC.

Hoje muitos motores e hélices em uso na aviação experimental são homologados...mesmo os ultraleves utilizam os motores ROTAX que , embora não homologados, são confiáveis...confiáveis desde que sejam submetidos às inspeções recomendadas pelo fabricante...da mesma forma as hélices...se mantidas conforme recomenda o fabricante, são confiáveis.

Infelizmente não vejo esta “consciência” entre TODOS os pilotos de nossa comunidade...

Algumas vezes é devido  a falta de uma oficina qualificada na localidade...ter que levar a aeronave para uma oficina autorizada...realmente é um saco...mas se fosse uma aeronave homologada você não teria que levar? Então leve...não espere que a ANAC passe a obrigar...disciplina consciente...pense...é a tua aeronave e a tua vida, por vezes, que estão em jogo.
Até os motores Cuyunna funcionavam bem quando recebiam a manutenção adequada...

Nem que tenhas que voar mais longe, entregue a manutenção da tua aeronave nas mãos de quem saiba fazer manutenção...

Vamos resgatar a confiança do “público” na Aviaçã Experimental...vamos evitar mais acidentes!!!!


Galeria:


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